7.1.07

Severino II?

Uma semana de primeiro mandato e ainda não sabemos se o governo já começou para valer ou se, como bom brasileiro, o presidente vai deixar tudo para depois do carnaval. Enquanto o líder supremo curte suas férias no Guarujá, o resto do governo procura soluções para inúmeros problemas.
Dois temas ? a eleição para a presidência da Câmara e a questão da segurança no Rio - polarizaram o noticiário essa semana e acabaram escondendo aquilo que, por ser o mais diretamente ligado à vida de toda a população, deveria ter mais destaque: as discussões no governo sobre o tal do PAC ? um programa econômico que, pelo que se entende das mensagens emitidas pelo presidente e seus ministros, dará início ao tão prometido espetáculo do crescimento. O que trará de novidade o pacote ou quando será divulgado ninguém sabe especificar, afinal os analistas políticos só querem saber quem será o próximo presidente da Câmara e os editoriais de jornal não tratam de outro tema que não o envio de tropas federais ao Rio de Janeiro.
Sem elementos necessários para debater o PAC, nos resta seguir a imprensa e debater a eleição na Câmara.
Há dois anos o Brasil sofreu um vendaval político, quando os parlamentares resolveram provocar o governo ? que na época estava dividido entre dois candidatos ? e eleger para o terceiro cargo na linha de sucessão nacional um nome que envergonhou aos brasileiros. Hoje os riscos de um novo Severino são bem menores, contudo, novamente, a base governista se encontra dividida entre dois postulantes ? o atual presidente Aldo Rebelo e o líder do governo Arlindo Chinaglia ? e não param de pipocar na mídia suposições sobre nomes que poderiam representar uma terceira via capaz de, ao menos, tirar o sono do Planalto. Por enquanto, as alternativas aos candidatos governistas se concentram em parlamentares reconhecidamente éticos, como Luisa Erundina (PSB-SP), Raul Jungman (PPS-PE), José Eduardo Martins Cardoso (PT-SP), Osmar Serraglio (PMDB-PR), Carlos Sampaio (PSDB-SP) e o principal líder das articulações, Fernando Gabeira (PV-RJ). Todavia quais são as garantias de que, animados com o maior ?embolamento? na disputa, os deputados da ?banda podre? não resolvam também lançar seu candidato próprio? O que seria de uma Câmara presidida por uma nova versão de Severino Cavalcanti? É preferível não nos arriscarmos a descobrir a resposta, mas é necessário também que nos mantenhamos alerta, afinal as duas candidaturas já postas ainda não falaram o que pretendem fazer para moralizar o Congresso e, indo justamente no sentido contrário, deram declarações de fazer rosnar de raiva qualquer cidadão minimamente indignado com os últimos acontecimentos no parlamento ? Aldo é um dos pais e defensores do aumento de quase 100% que os nossos ?representantes? quase se auto-concederam e Chinaglia já confirmou que colocará em discussão, caso eleito, um projeto de anistia ao ex-deputado cassado por ser o suposto chefe do mensalão José Dirceu.
É urgente que o governo interfira em sua própria base e imponha um candidato único a ela, pois assim poderemos ter a certeza de uma disputa entre governo e oposição ? o candidato dos governistas contra o candidato dos ?éticos? ? que não corra tantos riscos de resultar em maiores sobressaltos. Se possível, o Planalto poderia sugerir a inclusão de palavras como ?moralização? e ?ética? ao discurso de seu candidato e, para finalizar, poderia também dar a idéia de esse discurso ser posto realmente em prática.

6.1.07

Vem aí o PAC

Por Roberto Pompeu de Toledo, na Revista Veja

Ânimo, brava gente brasileira. Tudo vai melhorar. Vem aí o PAC. Se o leitor não sabe o que é PAC é porque, tal qual o presidente da Câmara, Aldo Rebelo, morreu de sono durante o discurso de posse de Lula no Congresso. A certa altura, disse o presidente que, para atingir o ansiado crescimento, o governo lançará "um conjunto de medidas englobadas no Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC". Foi uma surpresa saber que o programa já tem nome e, não bastasse o nome, já vem com sigla. Até então, o que circulava é que o governo lançará um pacote de medidas para desonerar a produção e "destravar" o país, como gosta de dizer o presidente. O pacote era para ser lançado no mês passado. Não houve acordo quanto ao que deveria conter e foi adiado. Até onde se sabia, na semana passada, ainda não havia acordo e portanto não havia pacote algum. Mas nome já tem, e mesmo uma sonora sigla, para ajudar na conquista da intimidade e do afeto dos brasileiros, sinal de que já chamaram o publicitário.
É assim que opera o governo Lula: antes de mais nada, chama o publicitário. Publicitários são ótimos para batizar as iniciativas da administração. "Fome zero" é uma de suas criações. Não se tinha idéia de onde buscar os recursos, de como definir quem eram os famintos, como cadastrá-los e como fazer os alimentos chegar às devidas bocas. Aliás, continua não se tendo. Mas como resistir a um nome desses? O "zero" estava na moda. Vinha de "tolerância zero", um programa de segurança pública em Nova York que, até ser desmascarado por Millôr Fernandes, com a lembrança de que "tolerância zero" equivale a "intolerância cem", fez furor. "Fome zero" foi um achado. Tinha de ser usado, mesmo sem o mapa da mina dos famélicos e muito menos as estratégias para satisfazê-los.
Ressalve-se, a favor de Lula, que todo governo gosta de nomes bonitos e chamativos para seus programas. O governo de São Paulo tem (ou teve) o "Poupatempo", o "Sonho Meu", o "Dose Certa". Um estrangeiro que julgasse os governos brasileiros pelo nome dos programas só teria razões para aplaudir. Eis um governo ? no caso do paulista ? que poupa à população o tempo que de outra forma seria malversado na burocracia, que transforma em realidade o sonho da casa própria, que distribui remédios na dose certa. O que diferencia o governo Lula é, primeiro, que ele gosta dos nomes bonitos mais do que os outros e, segundo ? e principalmente ?, que lança mão deles mesmo quando o programa não existe. O governo ainda se esforça em fazer crer que o Fome Zero existe. No mesmo discurso, Lula referiu-se ao Bolsa Família (outro nome bonito) como o "principal instrumento do Fome Zero". É um truque para salvar a face. O Bolsa Família é a unificação e ampliação de programas criados por Fernando Henrique. O Fome Zero pretendia ser outra coisa.
Programa de Aceleração do Crescimento, PAC, não é um nome bonito. Mas não é menos marqueteiro, nem se pense que achá-lo deu menos trabalho. A questão agora era encontrar um nome que, com burocrática sobriedade, transmitisse propósitos solidamente maturados. Não era o caso de recorrer às marcas-slogans, como Fome Zero. Podem-se imaginar as dificuldades enfrentadas pelos cérebros que o engendraram. A primeira palavra que lhes ocorreu só pode ter sido "destravamento", tão do gosto presidencial. "Programa de Destravamento do Brasil", que tal? Ou "Programa da Retirada das Travas"? Ruim. As cabeças ferviam, queimavam-se as pestanas. "Programa de Crescimento Rápido"? Melhor. Mas como extrair daí uma sigla fácil? PCR parece nome de partido. Aliás, já foi nome de partido. Precisamos de uma vogal no meio. Meu reino por uma vogal! "Programa de Incremento do Crescimento, PIC"? Quase. "Programa Unificado de Crescimento, PUC"? PUC é Pontifícia Universidade Católica. E "aceleração"? "Programa de Aceleração do Crescimento"? Você é um gênio! Achamos.
Uma consulta ao Google, na quinta-feira, resultou em 791 000 citações de PAC, em textos em português. Permita-se ficar com as vinte iniciais. A primeira refere-se ao "Programa Administrador do Cadastro", do Ministério da Educação. A mais freqüente leva à "Política Agrícola Comum", da União Européia. Figuram ainda o PAC dos Correios (um serviço de encomenda econômica), o Pronto Atendimento ao Cidadão do Detran do Amazonas, o Programa de Avaliação Continuada da Uniderp (Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal), o Pac-Man, popular jogo eletrônico, e até o Posto de Atendimento ao Cidadão do simpático município português da Guarda. Nada do Programa de Aceleração do Crescimento. Talvez ele figure entre as 790 980 citações restantes, mas o fato de não figurar entre as vinte primeiras já é um sinal de desprestígio. O PAC de Lula ainda não pegou. Não importa. O programa prometido pode vir a revelar-se vazio ou pífio, mas, se o PAC teve acolhida no discurso do presidente, no solene momento de sua posse, é porque veio para ficar. O governo vai jurar que ele existe, até o fim.

As Duas Democracias

Nesse meio tempo, o Brasil passou por um período sem democracia e quando ela volta, em 1985, é com o mesmo caráter conservador e egoísta que caracteriza nossa sociedade desde sua fundação. Democracia com exclusão. O governo Lula se propôs a ser a primeira democracia progressista do Brasil, mas frustrou as expectativas. É um governo democrático e conservador: não se propõe a mudar a realidade social, quebrar a apartação. Diferentemente da democracia sul-africana que é progressista, porque se constituiu para abolir o sistema de apartheid racial e mudou sua estrutura legal.
A Bolsa-Escola era um programa de democracia progressista: ao investir na educação, faria uma revolução social. A Bolsa-Família é democrática e conservadora, porque não muda a estrutura social. Embora um bom programa do ponto de vista da generosidade, não carrega vigor transformador. O governo Lula tem a qualidade positiva de ser uma democracia generosa, mas, ainda assim, conservadora. E sem futuro: a generosidade esgotará seus recursos, como aconteceu na Europa e nos Estados Unidos.

Trecho de artigo do Senador Cristovam Buarque publicado no Blog do Noblat

Sinal de trégua

Da coluna Painel da Folha de S. Paulo, hoje:

"Na reunião de mais de uma hora que tiveram ontem, Aldo Rebelo (PC do B-SP) e Arlindo Chinaglia (PT-SP) discutiram pela primeira vez a necessidade de fazerem um acordo na disputa pela presidência da Câmara. Segundo aliados de ambos, foi uma conversa para "quebrar o gelo". Ficaram de se consultar pelo menos duas vezes por semana, a partir de agora.
Ninguém admite um recuo ainda, mas o fato de terem tocado no assunto mostra que está funcionando a pressão do Palácio do Planalto, além da ameaça de uma terceira via na disputa. Por meio de emissários, Lula avisou a ambos que, se produzirem um desastre, não terão prêmio de consolação no governo. "Vão carregar a cruz sozinhos", diz um ministro.
Nó da questão. Tanto Aldo quando Chinaglia fingem nem ligar para a possibilidade de um candidato alternativo. Mas aliados de ambos reconhecem que, se sair um nome do PMDB, o quadro da disputa muda radicalmente."

Fonte: Blog do Noblat

Volta de Berzoini desagrada Lula

Nota publicada no site do Jornalista Claudio Humberto:

"Volta de Berzoini desagrada Lula

Mesmo condenando quem se diz esquerda aos 60 anos, o presidente Lula está fechadinho com a esquerda petista em condenar a volta de Ricardo Berzoini ao comando do PT."

31.12.06

Como vai, Lula?

Esse blog tem como por objetivo fazer uma discussão sobre o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, utilizando como meio a reprodução de notícias divulgadas em grandes meios de comunicação (revistas como Veja, Época, IstoÉ e Carta Capital, jornais como O Globo, Estadão, Folha e Correio Braziliense, sites como Último Segundo, Noblat e Cláudio Humberto, entre outros) e a publicação semanal de um artigo sobre algum(ns) tema(s) que tenha(m) se destacado durante a semana.
Por ser o autor e administrador do blog ligado ao PSDB já é sabido de antemão que a imparcialidade pode ser vista como comprometida. Apesar disso, elogios ao governo e críticas à oposição poderão ? e sempre que necessário, deverão ? estar presentes nos textos, independente da posição política do autor.
Uma seção sempre muito polêmica em qualquer blog ? sobretudo os políticos ? é a de comentários. No ?Como vai, Lula??, vamos procurar manter a maior democracia possível, não havendo censura prévia e nem posterior a qualquer mensagem postada no setor de comentários. Serão excluídas apenas as mensagens que contenham propaganda ? de qualquer espécie ?, palavrões ou ofensas à moral de outros leitores do blog. O administrador reserva-se ao direito de não responder às perguntas feitas a ele nos comentários. Qualquer comunicação a ser feita com o administrador do blog deve ser através do e-mail comovailula@gmail.com.
Esperamos que o blog consiga atingir ao objetivo de ser um importante meio de informação, opinião e debate sobre o governo Lula.

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